[¤] Pode ser obsessão [¤]

Obsessão, pode ser confundida com o que eu sinto, pode até ser muito parecido, mas discordo depois de um tempo sem amenizar, nem sequer um pouco. Continuo, dia após dia, com essa angustia, com essa abstinência de você, que pode até ser taxado como loucura, no caso, sou louco por você. Eu tento me controlar, mas as vezes perco totalmente o controle, acabo errando, acabo falando o que eu não quero. As vezes sinto que até gosto de sofrer, tudo por não saber como é ser feliz com você. Eu até imagino, mas não é a mesma coisa.

Falta, é exatamente o que eu sinto, fico poucos dias sem ti ver, e parece que eu perco a vontade de viver. Eu começo a pensar besteiras. Me pergunto “por que você não me procura”, isso durante o dia inteiro, até você me procurar, e eu acabar sendo grosso ou infantil, e perdermos o assunto por causa do meu jeito. Esse meu jeito de ver as coisas que acaba me derrubando, eu poderia muito bem ser feliz assim, mas não consigo deitar a cabeça no travesseiro tranquilo, sabendo que você pode estar com outra pessoa ao seu lado. Eu penso assim, como se você fosse minha propriedade, como se eu tivesse você por contrato, assinado, declarado que jamais poderia estar com outra pessoa a não ser eu. Minha possessividade me domina e acaba virando rotina sofrer pelo o que não é meu.

Ter, eu te tenho, mas não é do jeito que eu queria ter. Eu te tenho ao meu lado, mas não passa de uma companhia, eu vivo contigo, alguns momentos amenos, mas não passa disso. E eu repito nos meus pensamentos “eu não te culpo por nada disso, a culpa é toda minha”, se eu não sentisse isso, conseguiria estar contigo sem sofrer dessa angustia misturada com desejo. E a liberdade que você me dá, de ti ajudar e estar contigo quando possível, me deixa mais confuso ainda, as vezes traz uma tristeza, que acaba fazendo a minha cabeça ir para longe da onde estou contigo. Eu espero, que seja por questão de tempo, que um dia isso passe ou amenize, por que tenho medo, que num momento de desespero eu acabe fazendo algo sem retorno.

[¤] Pela Primeira Vez [¤]

Pela primeira vez eu me dei conta de que estou vivendo uma ilusão, descobri que cheguei até aqui sem noção nenhuma do que é a realidade. Eu percebi que viver é mais do que sonhar, percebi que você é mais do que tu mesmo pode imaginar. Mais importante que a maioria das pessoas. Encontrei o sentido da vida, mas ainda não sei decifra-lo, então gostaria de leva-lo comigo até o fim dos tempos. Espero um dia entender tudo.

Pela primeira vez eu cheguei a duvidar se eu realmente vivo, ou finjo estar lúcido. Eu vivo lúcido ou apenas estou sempre vivo. Estou sempre falando por medo do silêncio. Eu digo que vivo, por que a pior mentira é o silêncio. Deixo a resposta, mas não garanto que seja a certa. Eu nunca ti deixo, por medo de tu me deixar, por isso continuo parado, ah anos, no mesmo lugar.

Pela primeira vez eu entendi o que é isso tudo. Eu cheguei a pensar coisas totalmente diferentes, mas hoje entendo perfeitamente a realidade. Eu sei que sofro, eu até admito por quem, e com tudo isso eu ainda continuo vivo. Mas não vivo lúcido. Eu vivo drogado, cegado, marcado pela tua alma. Eu realmente vivo, e consequentemente me drogo pra viver. Eu realmente me drogo, e consequentemente vivo pra me lembrar de você.

[¤] Medo [¤]

Eu morro de medo de perder o que eu tenho, e do jeito que eu prendo, eu sinto que vou acabar perdendo. Do jeito que eu sustento, mais tarde ou mais cedo, eu vou sofrer da falta desse sentimento. Esse medo que me priva de ser quem sou, destrói tudo por dentro, mas não acaba com o meu sofrimento. Aliás, esse sentimento nunca me trouxe bons ventos. Sempre deixa o meu mar de ressaca, com aquelas cargas negativas que transformam o meu sol, do norte, em tempestade, ao sul.

Eu costumo levar a sério todos os momentos, todos os contratempos que nos levam ao incomodo conjunto. As crises, ou os simples deslizes, que nós vivemos ao longo do tempo, são experiências adquiridas, e concebidas para que um dia possamos agir diferente. Pelo menos pra deixar contente quem queremos bem. Próximo do perfeito é o que eu gostaria de ser para você, mas me perto no espelho de ser alguém diferente do que sou, e isso é o mínimo para me deixar arrebatado, sem você.

Eu poderia viver sem mudar, mas tenho medo de você desapegar, e deixar seu pensamento voar pra longe de mim. O meu medo é maior que qualquer precipício, e isso eu consigo admitir sem vergonha. Mesmo com tamanha ironia ao te ver chegar tão tarde, eu consigo te receber com um sorriso, o mesmo de quando você estiver partindo, mesmo sem me contar a verdade de que nunca queria ter vindo.

[¤] Paranoia [¤]

Algo me puxa para baixo, pode ser paranoia, mas é o que eu sinto. Todos a minha volta tentam me ajudar, mas é praticamente impossível sair. Eu amaldiçoo as pessoas, e eu tenho consciência de que eu sofro por isso, eu levo tudo isso comigo. Eu desejo a felicidade a todos, mas preciso estar junto. Não basta saber, eu preciso presenciar. Essa mão, que segura a minha, que me leva cada vez mais para baixo, me deixa inútil, me torna útil pra continuar sofrendo pelo passado. As dores, os momentos, as história inacabadas. A tristeza do poder ter feito diferente, mas mesmo voltando no tempo eu sinto que não consigo concertar todos os meus erros.

Eu já me sinto velho e sem forças pra continuar vivendo. As vezes preciso de tempo pra digerir cada segundo ao seu lado. E eu falo do passado. No momento, o meu presente é sem você. O causador da minha dor. Você causa dor, e me destrói por dentro. Sem saber. Eu não te culpo, eu não te desejo o mal, apenas queria fazer parte da tua vida. Mas eu faço parte, e mesmo assim me sinto incompleto, eu tento finalizar a minha felicidade, mas a finalidade da minha vida é morrer sem completar a minha história.  Eu posso continuar esse destino, ou construir um novo, mas eu não consigo sair dessa rotina, eu juro que tento, mas me sinto descendo, cada vez mais fundo.

Eu não consigo garantir nada, nem mesmo um olhar sem sentir. Eu vejo todos, e todos me causam arrepios, eu não queria ser tão vulnerável, mas as vezes isso se torna uma qualidade. O meu amor incondicional pelas pessoas, a minha necessidade de ajudar. O problema é que isso me atormenta, me deixa viciado nessa droga de amor. Causador da minha dor. Hoje em dia já não sofro apenas por uma pessoa, são várias, e isso se acumula, cada vez mais, aumenta. A dor e o sentimento. Eu procuro nas lagrimas escorrendo a minha salvação, e só depois de um tempo comigo mesmo, que eu consigo voltar a ser lucido.

Eu estou louco, paranoico, pensativo. Eu não consigo viver comigo mesmo, eu preciso fugir pra não sentir. Escapar por um tempo já não é garantido. Eu me sinto condenado a isso. O meu futuro se mostra tão perto, e o meu medo é de nunca mudar, mesmo o ditado dizendo “com o presente, você molda o futuro”, mas o meu presente não me ajuda. Não consigo chegar aonde eu quero, e mesmo sabendo o que é, a distância do poder e do impossível se torna mínima. As conclusões da minha vida são distintas do meu passado, quando criança, que eu sonhava em ser médico, feliz, com uma família. Hoje isso tudo parece tolice, e eu não sei o que pensar, à não ser em você.

Eu deixei tantas coisas pra trás, coisas que eu gostaria de lembrar, mas que o passado mais próximo sucumbiu minha cabeça. Destruiu as lembranças, que até ontem, eu lembrava. As brincadeiras quando criança, ou as broncas da minha mãe. As constantes mudanças que todos nós sofremos ao decorres da vida. Hoje me sinto parado no tempo, sem viver o futuro e muito menos o presente. As minhas escolhas, as minhas idas, todas me deixaram parado, sofrendo, e querendo o que eu não posso ter, nem mesmo com o passar do tempo.

Eu vejo o tempo passando, as coisas continuando como sempre foram. A minha vida se esqueceu de mudar, ela não se adapta ao mundo. Me sinto diferente de todos, cuspindo sentimentos bons, e absorvendo maldade dos outros. Esses outros, os quais eu amo, os quais por eles eu vivo. Me sinto trancafiado na necessidade de chorar na presença desses sentimentos, na decadência de fazer o certo, contra o errado. Cansado de me importar com tudo, faço o que eu penso, e não é fácil. O sentir, que eu vivo praticando, é algo que eu gostaria de abandonar, por algumas horas, até eu sentir falta. A vida sem o ato de sentir, seria péssimo para mim, por isso eu me perdoo por pensar tantas besteiras, tanta sujeira, que por um lado me dão experiência, mas pelo outro me tiram a vida.