[¤] O que seria… [¤]

​Não sou menos, não sou mais, sou apenas o que ti faz pensar. Sou a gota d’água, aquilo que faltava pra não querer mais. Sou a corrida atrás do impossível. Sou a parte fácil do tão difícil. Sou o óbvio do caminho complexo, aquela vírgula inesperada no meio do verso.

Sou aquilo que tanto faz como tanto fez. Sou a parte certa dessa vez, depois do errado absurdo. Não sou cego, surdo ou mudo, penso e sinto tudo, sou pessoa de carne e osso, apenas estou perdido do teu rosto.

Eu era o andar da carruagem, agora não sou nem a metade do caminho. Estou sozinho, sou sozinho, mas sensato, e mesmo em pedaços me conserto aos poucos quando respiro fundo. E desse jeito gira o mundo, enquanto sou feliz do meu jeito desejo a quem passa por mim um final feliz pra tudo.

[¤] Sinto Diferente [¤]

É tudo besteira, coisas tão banais que acabam como verdadeiras. São escolhas e erros, os acertos ficam sempre pro dia seguinte. É tudo tão preto e branco, sem vida, tudo que um dia foi tão colorido, intenso, que acabava com os choros e trazia sorrisos duradouros. São pequenos detalhes que ninguém liga, aqueles mínimos que as pessoas deixam passar. Eu nunca quis ser como todos, mas isso me causou a vida, me deixando desse jeito, que se importa com os detalhes e os tranforma no contexto de toda a minha história. Isso tudo é tão desnecessário, mas só me dou conta quando estou algemado à morte, quando estou longe do meu espírito forte e a um passo do meu fraco desejo.

Todo dia eu quero descrever em palavras o que eu sinto, ou o que vejo. Eu tento descontroladamente sentir em meio a tanto sofrimento o que todos sentem. Um pouco disso pelo menos. As vezes me pergunto se as pessoas à minha volta nasceram assim, ou assim a vida as tornou. É difícil de acreditar que existe tanto desprezo e nem um pouco de vontade de se interessar pela vida de outras pessoas. Saber, cuidar, amar, ter alguém do lado para conversar durante o dia. A necessidade de alguém perto me deixa quieto quando não encontro sentido algum da minha existência. É uma sensação estranha que me cerca e me prende no chão quente, e eu querendo voar de encontro ao vento e sorrir sem nenhum lamento, acabo decepcionado comigo mesmo por não ser forte o bastante pra deter esse sentimento que me destrói por dentro.

[¤] Quem é você? [¤]

Quem é você? Esse alguém que eu tanto clamo um encostar, essa tal presença que eu vivo a cogitar. Será que você onde quer que esteja está a me procurar? Eu tanto quero ti falar tudo que eu sinto, mas tão pouco acho esse alguém perdido aos meus olhos. Eu tanto espero alguém que me entenda, mas tão pouco eu me entendo para me explicar.

Quem é você? Essa vida inteira nos meus pensamentos, passando comigo por tudo em silêncio. Não te vejo, e por isso eu choro. Eu tanto achei pessoas cheias de alegrias, mas por dentro vazias de sentimentos por mim. Eu tanto quero ser o motivo do sorriso desse alguém, mas tanto tempo passou que fazer sorrir já é difícil pra mim.

Quem é você? Esse presente que me prende ao passado sem ninguém. Esse vazio que me tende a ser frio. Eu tão pouco vejo nas pessoas que acabo perdendo o que eu mais quero. Eu tanto exijo de mim mesmo que acabo vivendo a vida desse alguém. Eu tão pouco vivo que acabarei morrendo sem ninguém.

[¤] Escuridão [¤]

É difícil não conseguir aproveitar o momento por causa de outros tempos. O meu pensamento se foca no que aconteceu, e não no que está acontecendo. Os flashes atrapalham o que está se criando, e os breves momentos de felicidade acabam passando mais rápido ainda. As risadas antigas se confundem com os choros que hoje eu guardo. Risadas são mais fáceis que choros. Esconder de muitos, mas acabar mostrando para quem está completamente envolvido. A dificuldade de sorrir aumenta a cada dia, e o meu medo é de ferir à quem não interessa. O desespero de sofrer, cada dia mais é difícil de imaginar, mas o sorrir se torna habito para quem chora por tão pouco – que seria o meu muito.

Muitas vezes me sinto cercado de escuridão, meus olhos enxergam pouco a minha frente e muito menos atrás. Uma escuridão fria, que parece não ter fim. Ao teu lado sei que isso teria um fim. A minha lanterna na escuridão. Saindo da mente e indo para o coração, sentindo tanto, cada bater mais rápido, como se ele quisesse saltar do meu peito e ir em tua direção. A luz e o calor que eu preciso na minha escuridão fria, que desatina os meus sentidos e apenas fazem eu sentir mais falta de ti ainda.

A coragem que me falta de seguir em frente. A coragem ou a vontade de esquecer você pra sempre. Pelo menos desse jeito. Eu escrevo que seria perfeito a minha vida ao teu lado, que a saída dos meus problemas é estar pra sempre contigo, mas a escada da minha vida tem muito mais de dois lances. A dificuldade da minha felicidade é depois de “expert”, e o único jogador sou eu. Que não tem mais vida, e nunca teve mais além de uma, que continua nos mesmos pensamentos de anos atrás, quem sabe esperando uma mudança tua. Aos meus olhos, assim, seria mais fácil, ao invés de eu sacrificar meus sentimentos por ti, que vão além da compreensão humana, e supera todos os malefícios da vida.

[¤] Paz [¤]

Quem dera hoje em dia poder sorrir sem motivo. Lembro como se fosse ontem, todo horizonte lindo de um futuro grande e promissor. Mas hoje, simplesmente parece que tudo se apagou, o que estou passando tornou tudo tão distante. Confesso que demorei pra chegar onde estou, e saber que jamais sairei do lugar me deixa um tanto quanto preocupado.

E se eu disser a todos que estou feliz? Isso mudará alguma coisa? Confesso, também, que tentei por muito tempo ser feliz para os outros, mas no fundo me senti completamente vazio, por não ser feliz pra mim mesmo. Ao contrario de muitos, eu preciso me sentir bem para transmitir o bem, algo que se torna muito difícil pra alguém que está cansado de viver.

As vezes penso “seria mais fácil se o meu querer fosse possível”, eu teria comigo algo que eu quero a muito tempo. Paz. Nada de historia de amor melódica, nem um sucesso promissor na fama. Apenas a paz interior de quem deita na cama com o coração e a mente tranquila. Essa tal estabilidade emocional que não faço ideia do que seja. Talvez eu à encontre em alguma esquina, ou à neguei, sem saber, em algum momento da vida.

[¤] Eu ou Você [¤]

Eu ainda penso que um dia pode mudar, quem sabe eu esqueça ou você aceite me ajudar. Pra mim parece tão fácil, pelo menos, tentar. Mas pra você seria como sacrificar a sua vida. A minha felicidade custa a sua. E eu só serei feliz contigo, ou seja, estar comigo não ti deixa feliz. Um dos motivos para eu ter ódio de mim. Saber que isso tudo que eu sinto estraga a essência da nossa vida, mas não conseguir abandonar e continuar como bons amigos.

A minha vida está passando, e acabando. As chances, que um dia eu pensei possuir, já nem aparecem mais. Hoje eu vivo involuntariamente. Talvez por que ainda tenho pessoas que me prendem aqui. Você é uma delas, por mais mal que me faça estando perto de mim, ainda sim, trás felicidade para mim.

Eu durmo e acordo com a certeza que jamais ti terei como eu quero. São pensamentos e vontades que eu espero um dia não ter mais, mas cada dia que passa, aumenta. A minha mente se concentra mais em ti. No ápice do meu sofrimento eu me pergunto centenas de vezes “por que tem que ser assim?”, “por que você não sente o mesmo por mim?”. Chorando eu lamento por viver, peço perdão pra ti em pensamento, e tiro a minha vida, um pouco, a cada momento de dor e sofrimento.

[¤] Pode ser obsessão [¤]

Obsessão, pode ser confundida com o que eu sinto, pode até ser muito parecido, mas discordo depois de um tempo sem amenizar, nem sequer um pouco. Continuo, dia após dia, com essa angustia, com essa abstinência de você, que pode até ser taxado como loucura, no caso, sou louco por você. Eu tento me controlar, mas as vezes perco totalmente o controle, acabo errando, acabo falando o que eu não quero. As vezes sinto que até gosto de sofrer, tudo por não saber como é ser feliz com você. Eu até imagino, mas não é a mesma coisa.

Falta, é exatamente o que eu sinto, fico poucos dias sem ti ver, e parece que eu perco a vontade de viver. Eu começo a pensar besteiras. Me pergunto “por que você não me procura”, isso durante o dia inteiro, até você me procurar, e eu acabar sendo grosso ou infantil, e perdermos o assunto por causa do meu jeito. Esse meu jeito de ver as coisas que acaba me derrubando, eu poderia muito bem ser feliz assim, mas não consigo deitar a cabeça no travesseiro tranquilo, sabendo que você pode estar com outra pessoa ao seu lado. Eu penso assim, como se você fosse minha propriedade, como se eu tivesse você por contrato, assinado, declarado que jamais poderia estar com outra pessoa a não ser eu. Minha possessividade me domina e acaba virando rotina sofrer pelo o que não é meu.

Ter, eu te tenho, mas não é do jeito que eu queria ter. Eu te tenho ao meu lado, mas não passa de uma companhia, eu vivo contigo, alguns momentos amenos, mas não passa disso. E eu repito nos meus pensamentos “eu não te culpo por nada disso, a culpa é toda minha”, se eu não sentisse isso, conseguiria estar contigo sem sofrer dessa angustia misturada com desejo. E a liberdade que você me dá, de ti ajudar e estar contigo quando possível, me deixa mais confuso ainda, as vezes traz uma tristeza, que acaba fazendo a minha cabeça ir para longe da onde estou contigo. Eu espero, que seja por questão de tempo, que um dia isso passe ou amenize, por que tenho medo, que num momento de desespero eu acabe fazendo algo sem retorno.

[¤] Pela Primeira Vez [¤]

Pela primeira vez eu me dei conta de que estou vivendo uma ilusão, descobri que cheguei até aqui sem noção nenhuma do que é a realidade. Eu percebi que viver é mais do que sonhar, percebi que você é mais do que tu mesmo pode imaginar. Mais importante que a maioria das pessoas. Encontrei o sentido da vida, mas ainda não sei decifra-lo, então gostaria de leva-lo comigo até o fim dos tempos. Espero um dia entender tudo.

Pela primeira vez eu cheguei a duvidar se eu realmente vivo, ou finjo estar lúcido. Eu vivo lúcido ou apenas estou sempre vivo. Estou sempre falando por medo do silêncio. Eu digo que vivo, por que a pior mentira é o silêncio. Deixo a resposta, mas não garanto que seja a certa. Eu nunca ti deixo, por medo de tu me deixar, por isso continuo parado, ah anos, no mesmo lugar.

Pela primeira vez eu entendi o que é isso tudo. Eu cheguei a pensar coisas totalmente diferentes, mas hoje entendo perfeitamente a realidade. Eu sei que sofro, eu até admito por quem, e com tudo isso eu ainda continuo vivo. Mas não vivo lúcido. Eu vivo drogado, cegado, marcado pela tua alma. Eu realmente vivo, e consequentemente me drogo pra viver. Eu realmente me drogo, e consequentemente vivo pra me lembrar de você.

[¤] Medo [¤]

Eu morro de medo de perder o que eu tenho, e do jeito que eu prendo, eu sinto que vou acabar perdendo. Do jeito que eu sustento, mais tarde ou mais cedo, eu vou sofrer da falta desse sentimento. Esse medo que me priva de ser quem sou, destrói tudo por dentro, mas não acaba com o meu sofrimento. Aliás, esse sentimento nunca me trouxe bons ventos. Sempre deixa o meu mar de ressaca, com aquelas cargas negativas que transformam o meu sol, do norte, em tempestade, ao sul.

Eu costumo levar a sério todos os momentos, todos os contratempos que nos levam ao incomodo conjunto. As crises, ou os simples deslizes, que nós vivemos ao longo do tempo, são experiências adquiridas, e concebidas para que um dia possamos agir diferente. Pelo menos pra deixar contente quem queremos bem. Próximo do perfeito é o que eu gostaria de ser para você, mas me perto no espelho de ser alguém diferente do que sou, e isso é o mínimo para me deixar arrebatado, sem você.

Eu poderia viver sem mudar, mas tenho medo de você desapegar, e deixar seu pensamento voar pra longe de mim. O meu medo é maior que qualquer precipício, e isso eu consigo admitir sem vergonha. Mesmo com tamanha ironia ao te ver chegar tão tarde, eu consigo te receber com um sorriso, o mesmo de quando você estiver partindo, mesmo sem me contar a verdade de que nunca queria ter vindo.

[¤] Paranoia [¤]

Algo me puxa para baixo, pode ser paranoia, mas é o que eu sinto. Todos a minha volta tentam me ajudar, mas é praticamente impossível sair. Eu amaldiçoo as pessoas, e eu tenho consciência de que eu sofro por isso, eu levo tudo isso comigo. Eu desejo a felicidade a todos, mas preciso estar junto. Não basta saber, eu preciso presenciar. Essa mão, que segura a minha, que me leva cada vez mais para baixo, me deixa inútil, me torna útil pra continuar sofrendo pelo passado. As dores, os momentos, as história inacabadas. A tristeza do poder ter feito diferente, mas mesmo voltando no tempo eu sinto que não consigo concertar todos os meus erros.

Eu já me sinto velho e sem forças pra continuar vivendo. As vezes preciso de tempo pra digerir cada segundo ao seu lado. E eu falo do passado. No momento, o meu presente é sem você. O causador da minha dor. Você causa dor, e me destrói por dentro. Sem saber. Eu não te culpo, eu não te desejo o mal, apenas queria fazer parte da tua vida. Mas eu faço parte, e mesmo assim me sinto incompleto, eu tento finalizar a minha felicidade, mas a finalidade da minha vida é morrer sem completar a minha história.  Eu posso continuar esse destino, ou construir um novo, mas eu não consigo sair dessa rotina, eu juro que tento, mas me sinto descendo, cada vez mais fundo.

Eu não consigo garantir nada, nem mesmo um olhar sem sentir. Eu vejo todos, e todos me causam arrepios, eu não queria ser tão vulnerável, mas as vezes isso se torna uma qualidade. O meu amor incondicional pelas pessoas, a minha necessidade de ajudar. O problema é que isso me atormenta, me deixa viciado nessa droga de amor. Causador da minha dor. Hoje em dia já não sofro apenas por uma pessoa, são várias, e isso se acumula, cada vez mais, aumenta. A dor e o sentimento. Eu procuro nas lagrimas escorrendo a minha salvação, e só depois de um tempo comigo mesmo, que eu consigo voltar a ser lucido.

Eu estou louco, paranoico, pensativo. Eu não consigo viver comigo mesmo, eu preciso fugir pra não sentir. Escapar por um tempo já não é garantido. Eu me sinto condenado a isso. O meu futuro se mostra tão perto, e o meu medo é de nunca mudar, mesmo o ditado dizendo “com o presente, você molda o futuro”, mas o meu presente não me ajuda. Não consigo chegar aonde eu quero, e mesmo sabendo o que é, a distância do poder e do impossível se torna mínima. As conclusões da minha vida são distintas do meu passado, quando criança, que eu sonhava em ser médico, feliz, com uma família. Hoje isso tudo parece tolice, e eu não sei o que pensar, à não ser em você.

Eu deixei tantas coisas pra trás, coisas que eu gostaria de lembrar, mas que o passado mais próximo sucumbiu minha cabeça. Destruiu as lembranças, que até ontem, eu lembrava. As brincadeiras quando criança, ou as broncas da minha mãe. As constantes mudanças que todos nós sofremos ao decorres da vida. Hoje me sinto parado no tempo, sem viver o futuro e muito menos o presente. As minhas escolhas, as minhas idas, todas me deixaram parado, sofrendo, e querendo o que eu não posso ter, nem mesmo com o passar do tempo.

Eu vejo o tempo passando, as coisas continuando como sempre foram. A minha vida se esqueceu de mudar, ela não se adapta ao mundo. Me sinto diferente de todos, cuspindo sentimentos bons, e absorvendo maldade dos outros. Esses outros, os quais eu amo, os quais por eles eu vivo. Me sinto trancafiado na necessidade de chorar na presença desses sentimentos, na decadência de fazer o certo, contra o errado. Cansado de me importar com tudo, faço o que eu penso, e não é fácil. O sentir, que eu vivo praticando, é algo que eu gostaria de abandonar, por algumas horas, até eu sentir falta. A vida sem o ato de sentir, seria péssimo para mim, por isso eu me perdoo por pensar tantas besteiras, tanta sujeira, que por um lado me dão experiência, mas pelo outro me tiram a vida.